terça-feira, 4 de junho de 2013


sexta-feira, 16 de março de 2012

VIAGEM CICLOTURISTICA NA COSTA DOS COQUEIROS - Litoral Norte da Bahia


POR 03 AMIGAS DE BIKE
Pedalando por Mangue Seco a Praia do Forte, costeando pela praia e seguindo a tábua de maré.
Período: 10 a 13/03/2012
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=_rC3-GZ9nfE 

Nossa viagem à Costa dos Coqueiros foi planejada imaginando-se, inclusive, nas probabilidades de contratempos normais que poderíamos ter por nosso caminho, com relação a furar pneus, regulagem de freios, câmbios, etc., para tanto, tomamos algumas aulas sobre esses assuntos e aprendemos o básico, pois estávamos acostumadas com os “mimos” dos nossos amigos de bike masculinos, que sempre quando presentes, nos auxiliam em nossos circuitos. Desta vez seria diferente – ELAS POR ELAS!



E assim, três amigas de bike, Lucia Saraiva, 51 anos – idealizadora desta saga, Lourdinha Pinto, 53 aninhos e a menina Eluziram Ribeiro, 34 anos – as três LUS guerreiras do pedal – começamos a viagem com nossas magrelas partindo de Salvador de carro com o parceiro/motorista que por sinal é fotógrafo profissional e marido da Lucia, Zena Tomio (vide face: http://www.facebook.com/zenatomiofotografo), no dia 09/03 pela Linha Verde em direção ao terminal de Pontal em Sergipe - Salvador/Term. Pontal = 239 km, onde pegamos o barco para atravessar o Rio Real que divide as fronteiras – Sergipe/Bahia, é um rio largo que ainda abriga o quase extinto peixe boi...
 
No barco atravessamos para Mangue Seco, que é uma vila de pescadores localizada no município baiano de Jandaíra, e é a última praia no extremo norte do litoral baiano, onde foi inspirado o romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado e depois foram gravados alguns trechos para a novela Tieta. Neste local de rara beleza, sentimos a degradação pelas construções de casas de alvenarias a beira do Rio Real, sem quaisquer critérios...
Hospedamos-nos na Pousada Suruby, literalmente situada à beira do rio e muito bem arborizada, inclusive com pequenos animais silvestres (porquinhos da índia e jabutis) com ótimo preço, boa acolhida e principalmente uma comida caseira muito saborosa de frutos do mar da região, claro! Obrigada pelo carinho Leny – gerente do local.
Fomos dormir cedo, mas a maré era de lua cheia no seu ápice e não adiantava pois o coeficiente de maré estava com 102 e por este motivo a maré era muito alta, o que, por um lado era bom, pois poderíamos acordar e tomar café da manhã tranquilamente, saindo as 09:30h, esperando a maré (e o rio) vazarem para iniciar a nossa tão esperada aventura, o que não ajudaria muito seria o sol que ficava mais quente...


 
10/03 - Logo de inicio, na saída, tivemos que passar por um manguezal fechado e grandes dunas de areia branca, fofa e muito quente, até ter acesso à praia que fica numa península lindíssima, lá chegando à extensão de área é muito larga e dura, ótimo para se pedalar. Neste trecho e neste dia estava para acontecer um evento anual da região – Rally Alagoinhas/Mangue Seco – por conta disso, passavam por nós dezenas de veículos 4 x 4 pela praia além de vários quadriciclos, onde alguns motoristas tiravam algumas fotos nossas, talvez incrédulos...

 uma quedinha gostosa na areia...
 No Rio Itapicuru...
 Em Poças...
Próxima comunidade seria Siribinha, com a ideia de conhecer o Igarapé batizado de “Cavalo Russo”, tentamos, mas não foi possível, a altura do rio não permitia o retorno seguro de barco, Lucia já conhecia, bom motivo para voltar e as outras conhecerem, valeria a pena..até a margem do Rio Itapiruru, considerado um raro rio perene no nordeste, pois sempre tem muita água em seu leito, e por este motivo, diante de tanta água, um barquinho a motor já estava se preparando para nos atravessar até a comunidade na outra margem. Do outro lado tínhamos uma estradinha de barro para pedalar, pois a praia nesta extensão só tem pedras. Passamos logo após Siribinha por Poças, parando sempre para hidratar, sem pressa. Chegamos a Sitio do Conde onde seria a nossa pousada. Até então, pedalamos 52 km no primeiro dia. Nos aconchegamos na Pousada Bem Viver, administrados por Carlão/Corália e Gil e ao lado dela, almoçamos no Restaurante da D. Dulce, comida caseira muito boa e precinho módico. No final deste relato colocarei tabela com todos os custos, pois podem servir de base para quem quiser pedalar neste trecho inesquecível. Com barriga cheia e depois de um longo pedal nas areias “os zóis querem ficar na caixa” não é mesmo? Como sempre dormimos cedo.


 Rio Itariri...
 Aêeeaaa...
11/03 -  acordamos cedo, demos um banho de respeito nas magrelas, com direito a escova, fio dental, lubrificação, etc., isto é fator imprescindível, pois a areia entra nas catracas e pode prejudicar o bom andamento de nossa história. Banho, café da manhã, roupinha cheirosa e saímos as 10:00h, cada dia mais tarde, pois tem que acrescentar em média 40 minutos a mais a cada dia por causa da maré.. Em direção a Barra do Itariri, a reia também era uma delicia de dura e a largura da praia muito extensa. Chegando à comunidade, tinha tanta gente, tanto banhista, tanta farofa, pois era um domingão, “vixe Maria”, ainda bem que o Rio Itariri, apesar de ser um pouco largo, estava baixo e podia passar a pé, mas a areia afunda os pés da gente, então um querido nativo da região (o Renilson) nos ajudou com seus músculos, carregando as magrelas queridas e incansáveis. Neste trecho Lourdinha tomou um belo banho de biquíni, nós só molhamos pés e pernas, por enquanto... Até aqui acumulamos 66,35 km pedalados .





Seguindo o nosso roteiro sem “stress”, continuamos pedalando com uma areia favorável, dura e lisinha, até a Comunidade de Baixios, aonde chegamos as 14:15h, mas antes havia o outro Rio Inhambupe desaguando na praia e que teríamos que atravessar. É um rio que não dá pé e por isso o salva-mar, Edmilson, lançou sua prancha oficial e veio ao nosso encontro para dar uma forcinha, enquanto isso já havíamos embalado cuidadosamente nossos equipamentos e documentos para não haver surpresas desagradáveis, a prancha levou primeiro a Lourdinha, que morria de medo de águas profundas e não sabia nadar e depois retornou para resgatar Elu também, e logo apareceu um barquinho com um pescador muito querido que levou nossas bikes para o outro lado da margem, onde havia uma plateia filmando tudo. Eu gosto de águas e atravessei a nado. Ficamos do outro lado um pouco papeando e se enxugando, depois seguimos até Baixios para procurar pousada, mas antes fomos à Lagoa Encantada para a Elu conhecer, mas estava tarde e resolvemos “abortar” no meio do caminho, por questões de segurança.
A preferência por pousada neste local era para a Pousada Encanto´s já conhecida por Lucia e Lourdinha, mas como não houve boa negociação, resolvemos nos aconchegar na Pousada Kawan, almoçando na Encanto´s – comida boa e farta, recomendamos. Até aqui acumulamos 89,10 km de pedal.





 
12/03 - Acorda mulherada – 06:45h de pé, mas não adianta pressa, a praia não tá pra pedal ainda! Saímos de Baixios quase 10h e há oito km rodados encontramos a lagoa linda e limpinha, Mamucabo, esse era o nome, apreciamos e seguimos, encontrando uma cascavel perdida na areia da praia?!?!?! Tentamos pegar ela com uma forquilha e recolocar num matagal próximo, mas ela se armou e resolvemos largá-la para não ter que procurar o Butantã. Provavelmente um gavião faria a festa, pois estava o céu cheio deles, em voos de corrente, onde o que menos se via era o bater das asas, ê vidão!
Seguindo para a Comunidade de Subaúma, sempre pela praia, mais adiante encontramos o Rio Subaúma, um rio aparentemente manso, com exceção da enchente e vazante, tínhamos que atravessá-lo para prosseguir, e escolhemos o trecho de deságua da praia que era razinho, embalamos tudo novamente para proteção e tentamos passar, mas a correnteza não ajudava, pois tínhamos que carregar as bikes e as águas queriam de todo jeito dar de oferenda nossas magrelas para Yemanjá, mas  um nativo da região, na outra margem do rio, prontamente, se jogou nas águas com uma faca presa entre os dentes e veio ao nosso encontro para nos ajudar, na verdade a faca era para pescar caranguejos que estavam dando “bobeira” e andando pelo manguezal frondoso e farto dessa região. Agrademos ao nativo Lenilton de Subaúma! Passado o susto, chegamos a Subaúma e paramos para hidratar, lavar as sapatilhas e papear, nesta parada conhecemos um fotógrafo muito querido o Renivaldo de Alagoinhas.

 
E vamos lá para a Comunidade de Porto do Sauípe, mas antes passando pela praia de Massarandupió, de nudismo e naturista. Seguindo mais adiante, pegamos um atalho subindo pela restinga e saímos numa estrada de barro até a casa da Dinha, amiga da Lúcia, que gentilmente cedeu seus aposentos para todas nós. Brincamos de casinha, fizemos comidinha, lavamos as bikes, comemos e dormimos.  Até aqui 128 km
13/03 - Acordamos cedo como sempre, mas pra fazer e curtir um bom café da manhã por nós mesmas, pois pra pedalar a areia não tava boa, maré alta. Tocamos pedalando por uma estrada de barro até a barra do Rio Sauípe, onde teríamos que obrigatoriamente providenciar um barco, pois esse rio não tem jeito de passar de outra forma, inclusive para nadar é extremamente perigoso por conta de suas correntezas e redemoinhos frequentes, e ainda por cima é área de manguezais frondosos lindíssimos e também com muita restinga, muitos caranguejos andando. Fomos até a Barraca do Antonio de Jeremias e da Lourdinha (uma chará), amigos nossos que iriam nos “dar uma força” para arrumar o barco da travessia. O barquinho demorou um pouco para chegar, mas isso também foi obra do divino, pois não adiantava nada atravessarmos se na outra margem as águas estavam batendo altas e nem tinha nenhuma extensão de areia dura e seca. Tudo nos “conformes” Finalmente o barquinho foi avistado e atravessamos. Com um pouco de dificuldade, tentamos pedalar e começamos a derrapar e dar boas gargalhadas, tentando pedalar com a areia molhada... quando um nativo de cima do morro da areia gritou: “espera um pouco meninas, daqui a pouco fica tudo durinho!” Vamos lá, nestes trechos a areia tornou-se um pouco fofa e existiam muitas pedras, principalmente em Costa do Sauipe, onde existiam lindas lagoas com as águas do mar mais baixas, muito convidativas, cheia de gringos por conta do complexo hoteleiro dali.
 
A próxima comunidade será Imbassay, com o Rio Imbassay para atravessar (andei “futucando” a internet e vi que deveria ser  grafado de IMBAÇAI que significa em tupi – caminho do rio - lá chegando, um visual lindo, vazio de gente, farofa, pois era segundona...). Para atravessar, é o rio mais fácil que tem, pois as águas batem nas canelas. Paramos para hidratar, comer queijinho assado e tirando sempre fotos.
Nem podemos acreditar que o roteiro seguinte seria o final, tava tão bom! Rumo a Praia do Forte moçada! E vamos nessa, seguindo sempre pela praia, notamos que o nosso esforço era bem maior, a areia queria tornar-se inimiga – lá ela! – nada nos combate, não tinha jeito, pedalávamos um pouco, afundava, derrapava, as magrelas pediam colinho! Tentamos de tudo, mais umas duas ou talvez três enseadas antes chegar até Praia do Forte (uns 3 km), as areias nos pirraçavam, mas não adianta o bom humor estava presente em todo momento e lá vem Lourdinha gritando: AÊEEEEAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!
Chegamos as 15:20h em Praia do Forte – sentamos num boteco pedimos petiscos e conversamos e rimos muitos, suadas, cheirosas, pernas afiadas e já com muita saudades. Pedalamos o total de 159 km. Presente o nosso companheiro e fotógrafo Zena a nos levar para casa.
Valeu meninas – este evento foi inspirado ao Dia Internacional da Mulher – 2012.[i]


[i] Cicloabraços, Lucia Saraiva
Fotos: WWW.amigosdebike.com.br – Salvador/Ba.

TRECHO
POUSADA
CONTATOS
De carro - Salvador/Terminal de Ponta – 239 km
Mangue Seco – Pousada Suruby
Tel.75-3445-909, aceita cartões, wi-fi, ventilador, frigobar, comida boa e barata
De bike - Mangue Seco a Siribinha – antes de atravessar o rio – 39,500 km


De bike - Siribinha até Sitio do Conde – 51.910 km
Pousada Bem Viver (do Gil, Carlão)
tel.             75-3449-1086
De bike - Sitio do Conde até Barra do Itariri – 66.590 km


De bike - Barra do Itariri até Baixios – 89 km
Pousada Encanto´s (da Zezé - tel.             ou Pousada Kawan
- tel. 75-3413-3112  - Encanto´s
- tel. 75-3413-3039 - Kawan
De bike - Baixios até Subaúma – 105.660 km


De bike - Subaúma até Porto do Sauípe – 128.010 km


De bike - Porto do Sauipe até Praia do Forte – 159 km                   





domingo, 26 de fevereiro de 2012

Foto do dia: Olha que facilidade


by Henrique Andrade
Bikes de 15 quilos, só uma marcha, etapas de 250 km e enchentes no meio do caminho... Mole!
Henrique Andrade | Fevereiro 21, 2012 at 7:11 pm | Categorias: Foto do Dia | URL:http://wp.me/p1JLEQ-2B3
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CICLISMO URBANO ABRE NOVOS CAMINHOS DE NEGÓCIOS

Empresários faturam com a revenda de bicicletas, acessórios e diversos tipos de produto e serviço voltados para os amantes das bikes

Por Nathalia Prates
 Filipe Redondo
Voltada para a customização, a Tag and Juice engloba ateliê de bikes, galeria de arte, butique de roupas e café
Cansado do trânsito caótico da cidade de São Paulo, Rene Fernandes decidiu substituir o carro pela bicicletapara percorrer o trajeto de casa até a Fundação Getulio Vargas, onde atua como gerente de projetos no Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios (FGV-Cenn). Além de chegar mais rápido ao trabalho, Fernandes comemorou a economia de combustível – o consumo passou de um tanque de gasolina em duas semanas por um de álcool a cada três – e de estacionamento.


Com o trânsito crescente e a busca por um estilo de vida mais saudável, cada vez mais pessoas estão seguindo esse caminho e adotando a bicicleta como meio de transporte e de exercício. Com essa mudança de hábito, cresce um segmento de negócio: o de produtos e serviços relacionados ao ciclismo.


De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes e Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e similares (Abraciclo), Moacyr Alberto Paes, as ciclofaixas que funcionam nos finais de semana são uma das grandes responsáveis pelo aumento do número de ciclistas e novas marcas ligadas ao setor. “As ciclovias e rotas preferenciais são uma ótima oportunidade para despertar nas pessoas o interesse pela bicicleta e fazer com que experimentem benefícios como a economia de recursos e a qualidade de vida”, afirma.


Revenda de bikes, produção e distribuição de acessórios e serviços de manutenção e customização são alguns dos negócios que estão surgindo e crescendo com esse interesse da população pelo ciclismo. De acordo com Rene Fernandes, antes de investir nesse mercado, é fundamental entender as necessidades consumidor. “O ideal é se especializar em um tipo de ciclismo ou, se quiser atingir um público mais abrangente, conhecer bem a demanda de seus clientes e apresentar soluções.” Segundo ele, as grandes lacunas no mercado nacional de bicicletas são um e-commerce forte, que traga produtos importados e de melhor qualidade para os ciclistas brasileiros, e o aluguel de bikes próximo a estações de trem e metrô. A customização também se apresenta como uma boa oportunidade de negócio.


A paulistana Tag and Juice, dos sócios Billy Castilho e Pablo Gallardo, é um dos estabelecimentos que embarcou nessa oportunidade. Antes de entrar para o mercado de ciclismo, a dupla já trabalhava com arte e design. A loja herdou essas características e engloba ateliê de bikes, galeria de arte, butique de roupas e café. “Não vendemos só um produto, mas um conceito, um estilo de vida”, afirma Castilho. Para Gallardo, o ciclista urbano é antenado em questões como sustentabilidade e bem-estar, além de ser preocupar em alternativas para tornar a sua cidade melhor.


Na loja, entusiastas e amantes do ciclismo, artes plásticas, música, gastronomia e cultura urbana podem encomendar bikes exclusivas, inspiradas nos anos 1920 e personalizadas conforme cor, modelo, tamanho e tipo de material. O serviço de montagem é terceirizado, e as bicicletas, vendidas por a partir de R$ 3.000, representam quase metade do faturamento total. Desde 2010, ano em que começou a funcionar, a empresa teve crescimento de 40% na receita. “A busca por bikes é algo natural, que vem crescendo não só em São Paulo como em várias cidades do país. As pessoas estão percebendo a necessidade de aproveitar a vida com mais consciência, saúde e diversão”, afirma Gallardo.  
Serviços agregados
Segundo a Abraciclo, do total de bikes vendidas no Brasil, cerca de 50% é voltada para a locomoção e transporte, 32% para o público infantil, 17% para recreação e lazer, e apenas 1% para competição. Para o diretor executivo da associação, antes as bicicletas eram mais comuns em regiões do interior, periféricas e litorâneas. Agora, elas também estão alcançando as principais capitais do país e consumidores de alta renda. “A bicicleta surge como solução para problemas de transporte dos grandes centros urbanos.” De acordo com Paes, a questão da mobilidade urbana é um dos grandes atrativos e apostas de crescimento no setor.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Artigo - Fonte:http://cinegnose.blogspot.com/2010/10/ciclismo-e-estado-alterado-de.html

Ciclismo e Estado Alterado de Consciência: Gnose no Esporte?

Qual a representação do imaginário da bicicleta na cultura pop? Para nossa surpresa encontramos uma conexão entre o estado de consciência que a bicicleta proporciona (pela seu singular design que funde homem e máquina) e o gnosticismo de Basilides: o estado mental de "suspensão" que permite silenciar o ruído da linguagem para que ouçamos o espírito que busca a Gnose.

Basilides, um dos primeiros professores gnósticos em Alexandria, Egito, no século II da Era Cristã, nutria uma radical desconfiança em relação à capacidade da linguagem apreender a realidade. Sua teoria pode ser resumida na ideia da Grande Negação: se a verdade sobre Deus está além do conhecimento humano, a negação do conhecimento e da linguagem é o sagrado caminho.

No seu escrito “Sete Sermões aos Mortos” Basilides afirma que diante da plenitude (Pleroma – a origem de onde tudo foi emanado) “pensamento e existência cessam porque o eterno é desprovido de qualidade”. O mundo criado (o cosmos físico), ao contrário, é regido pelo princípio de “diferenciação” onde aquilo que era uno é cindido em qualidades opostas. Através da linguagem e do conhecimento o homem torna-se obcecado em apreender as qualidades do devir nomeando-as através de conceitos e palavras uma realidade que é difusa, fluída, relativa. Se as qualidades do Pleroma são pares opostos que se anulam mutuamente (a união dinâmica dos opostos: plenitude/vazio, belo/feio, tempo/espaço, energia/matéria etc.), ao contrário, a linguagem humana as diferencia, discrimina, tonando-nos vítimas dos pares de opostos.

O resultado é o Mal: na busca do Belo, o homem produz o feio; na busca da paz acaba produzindo a guerra, na busca do eficaz por meio da tecnologia acaba produzindo a inutilidade, etc. Essa reversão irônica da linguagem (a não transitividade entre linguagem e realidade) acaba tornando o homem prisioneiro dos próprios conceitos e palavras, não conseguindo ouvir, dentro de si, a reminiscência do Uno, do Pleroma, da plenitude original que o uniria a Deus.
“O que não deveis esquecer jamais é que o Pleroma não tem qualidades. Somos nós que criamos essas qualidades através do intelecto. Quando lutamos pela diferenciação ou pela igualdade, ou por outras qualidades, lutamos por pensamentos que fluem para nós a partir do Pleroma, ou seja, pensamentos sobre as qualidades inexistentes do Pleroma. Enquanto perseguis essas idéias, vós vos precipitais novamente no Pleroma, chegando ao mesmo tempo à diferenciação e à igualdade. Não a vossa mente, mas o vosso ser constitui a diferenciação. Eis por que não deveríeis lutar pela diferenciação e pela discriminação como as conheceis, mas sim por VOSSO PRÓPRIO SER. Se de fato assim o fizéssemos, não teríeis necessidade de saber coisa alguma sobre o Pleroma e suas qualidades e, ainda assim, atingiríeis o vosso verdadeiro objetivo, devido à vossa natureza. No entanto, como o raciocínio aliena-vos de vossa real natureza, devo ensinar-vos o conhecimento para que possais manter vosso raciocínio sob controle.”(BASILIDES, “Sete Sermões aos Mortos” disponível em: http://www.gnosisonline.org/teologia-gnostica/sete-sermoes-aos-mortos/)

Por isso Basilides propõe um singular estado de consciência: o silêncio, o estado de “suspensão”, o esvaziamento da mente por meio da suspensão de toda atividade dos mecanismos de abstração da linguagem (diz-se que os discípulos de Basilides eram obrigados, como ritual de iniciação, a ficarem em silêncio por três anos...). Manter o “raciocínio sob controle”, lutar “contra a diferenciação”. Com esses termos Basilides refere-se a um estado de suspensão entre os pares opostos, o “tertium quid”, o terceiro elemento que solde as qualidades.


A Experiência da Bicicleta: estado de "suspensão"


E o que essa longa introdução tem a ver com ciclismo? Se fizermos um sobrevoo nas representações da cultura pop em relação à bicicleta e ciclismo, veremos que essa prática desportiva e meio de transporte ocupa uma posição especial, uma especial confluência entre especiais estados de consciência e esforço físico, corpo e mente.

Um primeiro exemplo é o Kraftwerk (grupo pop alemão considerado os padrinhos da música Techno e industrial), cujos membros são apaixonados pelo ciclismo e que, a partir do mecanismo, ergonomia e design da bicicleta, destilaram o “ethos” da sua proposta musical: a união entre Homem, Máquina e Natureza. Certa vez, um dos integrantes do grupo, Ralf Hütter, fez a seguinte afirmação após a elaboração do clássico single “Tour de France” de 1983: “a bicicleta é mais do que um mero instrumento de lazer, é algo mais próximo da declaração política. Não é para férias, É o homem-máquina. Sou eu, o homem-máquina na bicicleta. Velocidade, equilíbrio, uma certa liberdade de espírito, manter a forma, técnica e perfeição tecnológica, na aerodinâmica”.

Para ele, a bicicleta é em si um instrumento musical: o som ritmado da corrente, engrenagens, a respiração e batimento cardíaco, tendo como fundo o som contínuo “shhhhhh” do contado do pneu no asfalto. Tal como um mantra, confere uma “liberdade ao espírito” ao esvaziar a mente, seja pela repetição de sons e movimento, seja pelo esgotamento físico.

Aqui podemos fazer uma surpreendente conexão entre Basilides e a bicicleta: o estado de consciência de suspensão na bicicleta é, ao mesmo tempo, simbólico e literal. Montar na bicicleta e se deslocar velozmente como se estivesse suspenso e, ao mesmo tempo, o som ritmado do corpo e do mecanismo anulando o trabalho mental.

Por experiência própria, é surpreendente os “insights” ou ideias que, paradoxalmente, advém desse vazio mental. A união dos opostos. Assim como na criação por brainstorming onde um estado caótico de ideias desconexas produz, ao longo do tempo, uma massa crítica que, de repente, produz um salto qualitativo: do nada, do caos, surge repentinamente a ordem, uma ideia.

É como se o barulho da atividade mental racional e cotidiana não nos deixasse ouvir as camadas mais profundas do nosso interior. É necessário silenciar a mente, nem que seja por meios violentos como no filme “O Clube da Luta”: a luta tem um aspecto de disciplina, ascese, tal qual um mantra onde os pensamentos e a racionalidade são subjugados à disciplina da repetição até que se convertam no oposto: o estado de suspensão de sentido para a libertação da consciência.

Músicas como “Bicycle Race” do Queen apontam para esse silêncio da racionalidade.
Você diz preto eu digo branco
Você diz barca eu digo picada
Você diz tubarão eu digo ei, cara
Tubarão nunca foi minha cena
E não gosto de “Guerra nas Estrelas”
Você diz Deus dê-me uma escolha
Você diz Deus eu digo Cristo
Eu não acredito em Peter Pan, Frankenstein ou Super Homem
Tudo o que quero fazer é
Bicicleta, Bicicleta, Bicicleta
Eu quero montar na minha bicicleta
Conceitos, escolhas, palavras são como ruídos que impedem a liberdade do espírito ouvir a si mesmo, suas reminiscências que o faça se conectar de volta à plenitude.

Esvaziamento da mente e liberdade de espírito alcança o estado alterado de consciência que chega à catarse e transcendência que altera a maneira como enxergamos a relidade, como na música “Bicycle, Bicycle, You are my Bicycle” da banda "Be Your Own Pet":
Vamos mudar a cor dos olhos
De cada senhora
Somos rápidos, nós somos rápidos
Somos rápidos, estamos explodindo
Tudo porque

Estamos sobre duas rodas, garota
Estamos sobre duas rodas, garota

Mude as cores da sua maquiagem
Todos os dorminhocos vão acordar
Tudo porque todos, porque todos, porque
Porque, porque ...

Sem engrenagens, sem freios
Nada real, nem falso

Transcender ao ponto das engrenagens e freios da bicicleta desaparecerem. Tal liberdade conduz à suspensão: nada real e nem falso, a busca de uma experiência que supere o dilema dos pares opostos, da armadilha que a linguagem e o conhecimento não conseguem se libertar. Ir além das engrenagens e freios (razão e linguagem).

A arquetípica figura em contra-luz de um ser extraterrestre montado em uma bike BMX no pôster do filme ET de Spielberg é uma síntese das representações pop em torno do imaginário da bicicleta: suspenso no ar tendo a Lua como fundo. A representação icônica de todo um imaginário gnóstico que envolve a bicicleta: suspensão como um estado alterado de consciência que possibilite o silêncio que nos faça ouvir a voz íntima da gnose.

Artigo - fonte: http://cinegnose.blogspot.com/2011/03/os-ciclistas-atropelados-de-porto.html

Precisamos encarar o atropelamento dos ciclistas do grupo Massa Crítica em Porto Alegre como um sintoma dessa verdadeira bomba tecnológica que, ao criar uma relação inorgânica e virtual com o espaço, o ambiente e o Outro, propicia a indiferença, amoralidade e violência.


Indignação é a mínima reação civilizada que podemos ter diante das imagens do atropelamento proposital de 20 ciclistas durante a passeata do grupo Massa Crítica na noite da última sexta em Porto Alegre. Para pessoas como eu que utilizam diariamente a bicicleta como meio de transporte, a notícia da prisão do responsável (que, segundo consta, detém uma ficha de antecedentes de violência e contravenções no trânsito) não é motivo de alívio ou de sensação de justiça feita.

As imagens bizarras de ciclistas sendo jogados para o alto com suas bicicletas retorcidas contém algo de incômodo que não está apenas no conteúdo das imagens, mas no fato delas se constituírem em sinais de uma espécie de sismógrafo do movimento mais profundo, de uma história subterrânea que vai além da eficácia de leis, regras éticas ou legislações de trânsito que protejam ciclistas no caos motorizado.

Este episódio captado em imagens que repercutiram na mídia internacional é um desses sintomas mais visíveis da armação de uma verdadeira bomba tecnológica: a lenta constituição de um novo paradigma que rege as relações do homem com a tecnologia (tecnologias “tecnognósticas”) que virtualiza as relações com as ferramentas e cria uma relação inorgânica com o meio ambiente.

O pesquisador português Hermínio Martins (MARTINS, Hermínio. Hegel, Texas e Outros Ensaios de Teoria Social. Lisboa: Edições Século XXI, 1996) acredita que o século XX foi um ponto de viragem na história da tecnologia. Até então, tínhamos uma visão antropocêntrica da tecnologia, isto é, como um conjunto de instrumentos que seriam projeções das funções internas do corpo. Instrumentos que seriam verdadeiras extensões que aprimoravam potencialidades do corpo humano (telescópio para os olhos, o automóvel para as pernas etc.). Tal visão é solapada pela tecnociência que vê não mais os instrumentos como extensões, mas, agora, próteses que superam o orgânico (biotecnologia, clonagem, nanotecnologia, realidade virtual ou a própria tecnologia computacional).

A essa extrapolação dos limites do orgânico Victor Ferkiss (FERKISS, Victor. Technology and Culture: gnosticism, naturalism and incarnational integration, Cross-currents, 1980) vai caracterizar como “gnosticismo tecnológico”.

Como objeto símbolo do século XX, o automóvel é certamente o produto tecnológico onde mais explicitamente podemos localizar essa transformação de paradigma. Nas suas origens românticas o automóvel guardava ainda uma relação orgânica com a geografia, com o percurso. A velocidade menor e as amplas janelas em torno do motorista criavam uma relação mais orgânica com o em torno e a paisagem. Esse imaginário retro em torno do automóvel foi imortalizado pelo grupo alemão de música eletrônica Kraftwerk na composição “Autobahn” (1974):
"Estamos dirigindo na auto-estrada
Em nossa frente há um amplo vale
O sol está brilhando com raios reluzentes
A pista é uma trilha cinza
Faixas brancas, lateral verde
Ligamos o rádio
Do alto-falante soa:
Estamos dirigindo na auto-estrada"
Nas suas origens românticas o automóvel
ainda guardava uma relação orgânica com a
geografia e o percurso
Tudo isso vai mudar, paradoxalmente, no momento em que o carro se torna o símbolo da liberdade e contestação jovens. Em filmes como “Juventude Transviada” (Rebel Without a Cause, 1955) o dirigir velozmente em perigosos “rachas” é a expressão de uma liberdade que, no íntimo, guarda a ansiedade Pós-Guerra: “não quero ficar onde estou nem ir para parte alguma. Quero ficar em suspensão!” A relação do automóvel com o meio ambiente (geografia, percurso, paisagem) desaparece em um estado de suprema ansiedade na cultura da velocidade. O ator James Dean é o herói e mártir dessa geração (morre num acidente automobilístico). É a preparação de terreno para os dias atuais: o carro como uma cápsula de sobrevivência, onde o motorista se isola do em torno para viver num estado de suspensão, cercado de gadgets tecnológicos (aparelhos de som, DVD, GPS etc.).

Dessa maneira, o simbolismo do carro como liberdade na era da juventude transviada já trazia dentro de si a ansiedade daquele que não vê mais o automóvel como meio de transporte, mas como um fim em si mesmo: ficar dentro dele como um estado de suspensão, desconectado e sem relação orgânica com o espaço e a geografia.

Automóvel: cápsulas de sobrevivência

Da simbologia da liberdade, hoje os automóveis transformam-se em verdadeiras cápsulas de sobrevivência. Isolados dentro dos veículos, veem o mundo ao seu redor se virtualizar em dados e informações: a navegação em GPS (dando ilusão de racionalidade no caos motorizado), os serviços de trânsito das rádios, ar condicionado criando um ambiente artificial e, por último, o insulfilm que reforça a sensação de isolamento e falsa sensação de segurança.

Essa virtualização ou a relação inorgânica com o ambiente por meio da mediação do carro é um sintoma de um paradigma tecnológico mais amplo. Por exemplo, prédios corporativos que se tornam verdadeiros bunkers, arquitetonicamente sem nenhuma interação com o ambiente urbano ao redor. Dentro deles, pessoas em ambientes artificialmente climatizados, sem ventilação ou iluminação naturais (as janelas perecem vidros de aquários) como se estivessem no interior de uma bolha através do qual observam o mundo transformado em informações abstratas.

A virtualização das relações humanas por meio das redes é um sinalizador desse movimento: relações face-a-face substituídas por interfaces da tela. Embora fisicamente isolados no ambiente fechado de suas casas ou escritórios, cria-se um virtual sensação de participação comunitária. Enquanto o corpo reside inerte e contido num espaço fechado, a mente viaja pelo ciberespaço numa aparente sensação de liberdade.

O carro, os prédios corporativos e relações humanas por meio de interfaces são sismógrafos de um mesmo paradigma que vai trazer profundas consequências ética.

Michael Heim em seu “The Metaphisics of Virtual Reality” (Oxford University Press, 1993) levanta uma brilhante consideração a respeito de conseqüências éticas dos “gnóstico-platônicos computadores de comunicação”. O corpo e as relações face-a-face desaparecem nos processos de comunicação on line. Ao mesmo tempo, essa virtualidade comunicativa turva as âncoras com o mundo real (finitude, temporalidade e senso de fragilidade corporal). Para ela, essas âncoras representam uma autêntica base cinestésica de toda ética ou moral. Sem elas, o que temos é o crescimento da amoralidade, a partir do momento que nesta interface tecnológicas os limites entre o Eu e o Outro se esfumam para produzir, em seu lugar, indiferença.

Pragmatismo e Sedução por Gadgets Tecnológicos

Pragmatismo e sedução pelos gadgets
tecnológicos: os dois pressupostos da bomba
chamada "progresso"
Essas observações de Heim em relação ao ciberespaço podem ser extrapoladas para toda relação do homem com os instrumentos tecnológicos atuais. Essa natureza virtual das tecnociências contemporâneas diluem as relações do corpo e do Eu com o espaço, com o Outro e o meio ambiente. Meios de transportes, arquiteturas e redes computacionais inorgânicas produzem duas consequências diretas: o pragmatismo tecnológico e a sedução por gadgets tecnológicos.

O que é útil e conveniente (lei do menor esforço) é moralmente bom. Essa é a essência do pragmatismo tecnológico que produz a ideologia da inevitabilidade do progresso (ruas abarrotadas de carros, formas de relacionamento sem os usuários deixarem o isolamento de seus corpos, prédios/shoppings/bunkers blindados e climatizados etc.). Por exemplo, o carro seria moralmente bom porque é útil e poupa esforços. Torna-se natural a sua multiplicação e a irracionalidade do caos motorizado.

Ao mesmo tempo os gadgets tecnológicos seduzem por dar às pessoas a sensação de transcendência e poder sobre o orgânico e o físico: carros “inteligentes” e prédios “inteligentes” dão a sensação de poder e controle sobre um pequeno espaço privado, enquanto a esfera pública fica em ruínas, escombros, enchentes e congestionamentos. Essa sensação de poder e transcendência tem uma elação direta com a indiferença, frieza e agressividade em relação ao Outro.

Software de navegação por GPS para motoristas presos em congestionamentos e enchentes, DVDs em autos para fazerem os motoristas esquecerem o tempo perdido e até carros que fazem balizas automaticamente dão essa sensação de poder inorgânica, criando um indivíduo que não interage mais com a paisagem, com o espaço e com as pessoas ao redor.

Portanto, precisamos encarar o atropelamento dos ciclistas em Porto Alegre como um sintoma dessa verdadeira bomba tecnológica que, ao criar uma relação inorgânica e virtual com o espaço, o ambiente e o Outro, propicia a indiferença, amoralidade e violência.

Diante desse paradigma tecnocientífico generalizado o que fazer? Leis, ciclovias, campanhas de conscientização e busca por formas de convivência pacífica entre ciclistas e motoristas são boas por um curto período de tempo.

O que incomoda na imagem dos atropelamentos dos ciclistas do grupo Massa Crítica em Porto Alegre é que, se o episódio for o sintoma de uma tendência cada vez mais radical impulsionada pelo pragmatismo da técnica e pela sedução por gadgets tecnológicos, significa que temos um problema muito maior do que um motorista tresloucado com histórico de violência no trânsito. Temos que combater esses dois pressupostos que impulsionam as tecnociências. Enquanto eles não forem desmontados a bomba do chamado "progresso" seguirá em contagem regressiva.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pedal Noturno - Hoje tem pedal de integração

14-09-10 - Vamos nos juntar com o grupo Mural Bike e fazer um roteiro diferente, mas no nosso ritmo!